sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Comparando Camilo com Eça



Há quase 150 anos que a comparação entre Camilo Castelo Branco e José Maria Eça de Queiroz constitui um tema recorrente na história da literatura portuguesa. A ligação entre os dois grandes escritores não se restringiu apenas à construída nas páginas manuscritas e impressas mas estendeu-se também ao plano pessoal, pois o pai do autor de «Os Maias» foi o juíz – generoso – no primeiro julgamento (pelo relacionamento com Ana Plácido) do autor de «Amor de Perdição». Aliás, é de destacar o livro de A. Campos Matos «A Guerrilha Literária», precisamente sobre este tema.
Outra análise das diferenças camilianas-queirosianas, quiçá inesperada, deveras desconhecida para muitos, foi revelada recentemente por Pedro Correia no blog Delito de Opinião. O seu autor é, foi, Franco Nogueira, que antes de se tornar famoso (e famigerado?) enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros de António de Oliveira Salazar utilizava preferencialmente o seu talento não na diplomacia mas sim em outra actividade. Eis um excerto do seu livro «Jornal de Crítica Literária», publicado em 1954: «(...) Em Eça de Queiroz, o acto criador é essencialmente expressão formal; em Camilo esse acto é acima de tudo expressão de sentimentos; e assim, enquanto o primeiro deforma pela sátira, o segundo deforma pelo drama. (...) Significa isto que o romance de Eça vive sobretudo das suas linhas formais exteriores: técnica, estilo, atracção do assunto, sátira, crítica mordaz. Ao contrário, a novela de Camilo existe principalmente pelo seu conteúdo: intensidade emotiva, luta de sentimentos, drama psicológico, construção e desenho das figuras humanas. (...)»
Justificar-se-á talvez recordar ainda Manoel de Oliveira, que realizou filmes com base em obras dos dois escritores.

sábado, 10 de dezembro de 2022

17 de Dezembro, em Cuba... (cancelado)

 


(Em mensagem enviada hoje, 13 de Dezembro, pela Direcção da Associação Cultural Fialho de Almeida, foi comunicado o cancelamento do encontro literário, marcado para o próximo dia 17 de Dezembro, devido ao falecimento da mãe de Jorge Silva. É possível que a iniciativa seja remarcada para outra data, em breve, da qual se dará conhecimento aqui.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Eles ficaram com as bolsas

Foi em Agosto que anunciámos aqui a abertura das candidaturas à primeira edição das Bolsas de Residência Literária Eça de Queiroz, atribuídas pela FEQ. Em Outubro foram conhecidos os vencedores, escolhidos por um júri constituído por Filipa Melo, José Manuel Cortês e Pedro Mexia. São eles: Filipe Sucia Fernandes, Francisco Sousa Lobo, Frederico Pedreira, José Luiz Tavares, Maria Antónia Oliveira e Pedro Manuel Palma. Foram ainda designados quatro suplentes por «ordem hierárquica»: João Pedro Vala, Francisco Saraiva, Paulo Kellerman e Emanuel Madalena. Mais de 200 – concretamente, 206 – concorrentes apresentaram-se a concurso, tendo o júri seguido como critérios na sua avaliação e decisão «o domínio da linguagem artística, a qualidade cultural e artística do projecto, a adequação da proposta à durabilidade da bolsa, e a formação e competência reveladas nos trabalhos já realizados (publicados ou não).» Entretanto, mais uma vez foi anunciado que a primeira estadia em Tormes no âmbito desta iniciativa ocorrerá ainda neste ano de 2022.

16 de Outubro: 3º Congresso Internacional Eça de Queiroz, 150 Anos

Ver Programa:  https://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1830%3A3-encontro-internacional-eca-de-que...