quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Congresso Internacional sobre Eça de Queiroz, em Outubro de 2021

 


Em parceria com outras entidades culturais e académicas, o MIL: Movimento Internacional Lusófono organizou, em Novembro de 2019, na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Biblioteca Nacional de Portugal, o Congresso Internacional «Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez», em que se apresentaram comunicações de um conjunto alargado e diversificado de estudiosos de Eça de Queiroz, tendo como pretexto a viagem do escritor ao Médio Oriente para, desde logo, assistir à inauguração da revolucionária via de ligação entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho.

Dado o significativo sucesso dessa iniciativa, o MIL pretendia promover, em 2020, um outro Congresso Internacional sobre Eça de Queiroz, desta vez tendo como pretexto os 150 de «O Mistério da Estrada de Sintra», o primeiro livro, o primeiro romance de Eça – e de José Duarte Ramalho Ortigão –, que foi previamente publicado nas páginas do Diário de Notícias, tal como as reportagens que ele enviou do Médio Oriente aquando da inauguração do Canal do Suez. Para tal, tínhamos já uma parceria acordada com a Biblioteca Nacional de Portugal e a Câmara Municipal de Sintra.

Dada a pandemia que nos tem assolado em 2020, decidimos realizar esse Congresso em Outubro de 2021, onde iremos igualmente assinalar os 150 anos das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense e o início da publicação de «As Farpas», escritas com Ramalho Ortigão – uma iniciativa e um projecto que marcaram indelével e duradouramente a nossa cultura. Na ocasião, iremos igualmente lançar o nº 28 da Revista NOVA ÁGUIA, que publicará os textos apresentados no Congresso Internacional «Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez». Caso pretenda participar neste Congresso Internacional a decorrer na segunda quinzena de Outubro de 2021, pode desde já enviar-nos uma proposta de Comunicação (para: info@movimentolusofono.org). Entretanto, confirmaremos datas e locais.


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Um «mistério» com século e meio

No passado dia 24 de Julho passaram 150 anos desde o início da publicação, no Diário de Notícias, das «cartas» - na verdade, capítulos – que constituiriam o que viria a ser o primeiro romance escrito - em parceria com José Duarte Ramalho Ortigão – por José Maria Eça de Queiroz. «O Mistério da Estrada de Sintra» foi evocado naquele jornal no dia seguinte em artigo escrito por Maria João Martins.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Para inglês ler

Qual é o português que não gosta de saber o que estrangeiros dizem e escrevem de nós, do país, do que somos, temos e fazemos? Um exemplo recente foi dado pelo jornalista inglês Oliver Balch, cujo artigo «10 dos melhores romances situados em Portugal – que o levarão lá», publicado no The Guardian a 2 de Junho último, inclui, entre essa dezena, um…
… Daquele que é «considerado por muitos como um dos melhores escritores – se não mesmo o melhor escritor – de Portugal, Eça de Queiroz sobrevive como um elemento essencial no cânone português. Famoso pelas suas descrições realistas da vida novecentista (ele morreu em 1900), o seu relato satírico da decadência de Portugal em “A Ilustre Casa de Ramires” é hilariante e selvagem ao mesmo tempo. Para uma visão mais positiva de Portugal tente o seu romance póstumo “A Cidade e as Serras”, que decorre entre Paris (afluente, porém fútil) e o vale do Douro (empobrecido, porém encantador). Dito isto, se a sua bagagem de férias apenas permitir um título de Eça de Queiroz, então ele tem de ser a sua obra-prima de 1888 «Os Maias». Um baluarte dos programas escolares (e soberbamente traduzido para Inglês por Margaret Jull Costa), o romance conta a história da incestuosa sociedade burguesa de Portugal através do declínio e queda de uma malfadada família lisboeta da alta-roda.»
Será interessante e oportuno notar que Oliver Balch reside em Portugal, mais concretamente no Porto. Está pois perfeitamente situado – na verdade, está numa posição privilegiada – para descobrir e para divulgar junto dos seus leitores mais factos relevantes, não só sobre Eça de Queiroz mas também sobre outras figuras marcantes da cultura nacional, tanto antiga como moderna.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Tormes tornou do «tormento»

Tal como muitas outras entidades públicas e privadas em Portugal (e no Mundo) afectadas pela pandemia vinda da China (uma «praga» que quase se diria ter sido propagada por um especialmente maléfico «mandarim»), a Fundação Eça de Queiroz já reabriu entretanto as suas portas e reiniciou as suas actividades. Foi no passado dia 1 de Junho…
… E, como informa em nota no seu sítio na Internet, fê-lo «cumprindo todas as normas da Direcção-Geral de Saúde», pelo que os visitantes da Quinta de Tormes deverão seguir determinados procedimentos: marcação prévia da visita, sendo dada prioridade a quem tenha efectuado reserva; cada grupo terá o limite máximo de 10 pessoas; obrigatoriedade de desinfecção das mãos na entrada e de uso de máscara durante a visita; proibição de tocar nos móveis e em outros objectos expostos; uso exclusivo pela mesma família ou grupo em cada aluguer da Casa do Silvério (anexo destinado a turismo rural).
É de recordar que a Fundação Eça de Queiroz lançou este ano, aquando do seu forçado encerramento, uma campanha para angariar mais (100) «amigos» da instituição, a que fizemos referência aqui em Abril último.

sábado, 16 de maio de 2020

Essas obras clássicas

Mais de cem anos após a sua morte, José Maria Eça de Queiroz continua a ser um escritor – merecidamente – elogiado, popular e celebrado, e, o que acaba por ser o mais importante, continuamente (re)editado. Um exemplo recente disso mesmo é dado pela editora Guerra e Paz, que no seu catálogo e, mais especificamente, na sua colecção «Clássicos», inclui até o momento cinco obras do venerável «vencido da vida»: «A Cidade e as Serras», «Os Maias», «Adão e Eva no Paraíso seguido de o Senhor Diabo e Outros Contos», «A Ilustre Casa de Ramires» e «O Primo Basílio». Pormenor (ou «pormaior») importante, todos estas obras – como, aliás, todas as outras publicadas pela G&P – não são impressas em sujeição ao – ilegal, ridículo e prejudicial - «acordo ortográfico de 1990».

segunda-feira, 20 de abril de 2020

FEQ precisa de (mais) amigos

Como muitas outras instituições públicas e privadas (e, entre estas, mesmo as de interesse público), a Fundação Eça de Queiroz viu-se obrigada (no seu caso, a 14 de Março último) a encerrar as suas portas e a cessar, na prática, toda a sua actividade até uma data ainda por determinar (no momento em que escrevemos). Também por isso a Fundação lançou, no passado dia 9 de Abril, um apelo para que mais pessoas se tornem suas beneméritas: «Com a casa que inspirou Eça de Queiroz fechada ao público devido à Covid-19, vemo-nos a braços com uma situação preocupante. Porque queremos continuar a preservar o espólio e a memória de um dos maiores escritores portugueses, lançamos um apelo a todos os leitores. Tornarem-se naquilo que já são: amigos de Eça de Queiroz, ou seja, Amigos de Tormes. A contribuição anual de 25€, que dá direito a entradas ilimitadas em Tormes, bem como outras regalias, será um contributo fulcral para fazermos face a esta crise.» Quem quiser e puder corresponder a este apelo deve preencher e enviar (no próprio sítio da FEQ, electronicamente) o respectivo formulário.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Quando Eça escreveu a Fialho

De entre os muitos contemporâneos ilustres de José Maria de Eça de Queiroz um há que se destaca com particular nitidez: José Valentim Fialho de Almeida. Entre o diplomata nascido na Póvoa do Varzim e o médico nascido em Vila de Frades havia uma diferença de 12 anos, e o segundo sentia pelo primeiro uma genuína admiração que, pouco a pouco, se foi esbatendo. Tanto que Eça se sentiu compelido a escrever a Fialho uma carta manifestando a sua surpresa pela crítica negativa que o autor de «O País das Uvas» fez de «Os Maias». A missiva, enviada de Bristol, na Inglaterra, tem data de 8 de Agosto de 1888, e pode ser lida na totalidade, por exemplo, n(as páginas 224 a 226 d)o livro «Fialho de Almeida, Cem Anos Depois», organizado por António Cândido Franco e editado em 2011 para assinalar o primeiro centenário da morte do insigne alentejano. Eis um (longo) excerto:
«Eu, com efeito, represento para você Satanás, o pai de toda falsidade. Eu sou aquele Mafarrico que escolhe para personagens do seu livro não sei que janotas petulantes e estrangeirados, em vez de dar, nessas páginas, o lugar preeminente ao Marquês da Foz, aos empreiteiros das obras do porto de Lisboa, aos rapazes beneméritos que foram premiados na escola, aos construtores do bairro da Estefânia, ao Conselho de Estado, etc., etc. Eu sou aquele porco-sujo que pretende que as mulheres de Lisboa têm amantes e que, nos jantares de sociedade, em vez de discutirem Hegel, o Positivismo e a psicologia das religiões, falam de criadas e de cabeleireiras! Eu sou aquele génio de maledicência, que afirma que os esplendores da Avenida são talvez inferiores aos da Via-Ápia, e que a sociedade que a frequenta não é talvez nem a mais culta nem a mais original do Universo, etc., etc., por aí além. Por outro lado a sua crónica, meu caro Fialho, é uma bela pia de mármore, cheia a transbordar da água benta da virtude, do patriotismo, e da fé em Lisboa como capital da civilização. E portanto o que você fez, com a sua costumada veemência, foi plonger le diable dans un bénitier. Daí os berros e os coices. Coices e berros, sobretudo de espanto. Porque enfim, eu tudo podia esperar do seu espírito, tão impressionável e ardente, menos essa atitude de pudicícia ofendida e de magoado patriotismo. O que era com efeito de esperar, dada a sua índole e os seus escritos, era que você criticasse o livreco, sob o ponto de vista do próprio livreco; e que, como legionário da mesma legião, ocupado também neste belo trabalho da literatura contemporânea que consiste em fazer o inquérito experimental das sociedades, me censurasse só por os meus golpes não serem bem destros, nem bem certeiros, nem bem úteis, nem bem claros, nem bem eficazes. Mas vê-lo de repente surgir no campo inimigo com uma sobrecasaca séria de conselheiro de Estado, gritando “Em Lisboa não se deve tocar! Tudo aqui é puro, belo, e grande! Vergonha ao maldizente que ouse rir da cidade incomparável, perfectissima urbs!”, eis o que verdadeiramente me assombrou. Porquê tão singular mudança?»
Ambos morreram relativamente jovens – Eça em 1900 com quase 55 anos, Fialho em 1911 com quase 54 – mas ambos asseguraram – mais o primeiro do que o segundo, sem dúvida – uma merecida notoriedade póstuma. Ambos têm hoje instituições com o seu nome, e em 2019 apresentei, enquanto membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono, a proposta de criação da Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa, a ser iniciada se possível e de preferência pelo Museu Literário Casa Fialho de Almeida, e que a Fundação Eça de Queiroz, obviamente, deverá integrar.

Congresso Internacional sobre Eça de Queiroz, em Outubro de 2021

  Em parceria com outras entidades culturais e académicas, o MIL: Movimento Internacional Lusófono organizou, em Novembro de 2019, na Socied...