quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Começou-se a falar de Eça e do Suez…

… Assim que o Movimento Internacional Lusófono, com as outras entidades e instituições que a ele se associaram, anunciou a realização, em Novembro deste ano, do congresso «Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez». Assim, é de assinalar para já a divulgação da nossa iniciativa nos sítios na Internet: da revista Nova Águia (óbvia e inevitavelmente!); da Universidade do Porto; Escritores Lusófonos; Plataforma 9 (Portal Cultural do Mundo de Língua Portuguesa). Há também uma primeira referência, um primeiro «aviso», no sítio da Biblioteca Nacional de Portugal, mais concretamente na secção «eventos próximos». 

domingo, 14 de julho de 2019

Sim, é um grande romance…

… Em quantidade (número de páginas) e em qualidade. E tem um final maravilhoso e inesquecível. Trata-se de «Os Maias», consensualmente apontado como a obra-prima de José Maria Eça de Queiroz. É um dos dois «monumentos» da literatura portuguesa oitocentista – o outro é «Portugal Contemporâneo», de Joaquim Pedro Oliveira Martins – para Pedro Correia, que, no blog Delito de Opinião, a ele fez uma análise abrangente:
«Muito mais do que um romance, este vasto fresco sobre as classes dominantes no Portugal do rotativismo monárquico, caricaturadas pela pena de alguém que bem as conhecia, é um monumento. Uma obra ímpar na literatura portuguesa e um dos grandes títulos da literatura mundial, com admiradores da envergadura de um Jorge Luis Borges. Misto de ficção, de reportagem detalhada da Lisboa oitocentista e de ensaio sobre a perpétua crise de identidade das elites portuguesas, “Os Maias” contém uma inesquecível galeria de personagens, situações e frases que rapidamente se incorporaram no imaginário português, fundindo-se com a realidade. (…) Desmesurado em vários sentidos, este romance publicado em 1888 funciona ainda hoje como a mais impiedosa, sarcástica e demolidora autópsia das classes dirigentes nacionais. Estas, mesmo quando não gostaram de se descobrir no retrato, aproveitaram a imparável vaga de popularidade da obra para se impregnarem do seu espírito e da sua letra, rosnando imprecações contra o País, amaldiçoando o seu passado e predizendo horrores sobre o seu futuro. Quantas vezes, ao longo de anos, não temos lido e escutado Egas de pacotilha berrando aos quatro ventos enormidades contra o famigerado destino português. (…) (Eça de Queiroz) concebeu durante anos uma obra que funcionasse como um implacável e lúcido retrato da realidade portuguesa através da exibição dos seus mais destacados representantes – na banca, na finança, na política, nas letras e no jornalismo. Seria, de algum modo, a obra de um estrangeirado – alguém capaz de mirar sem réstia de compaixão o chão que o gerou. Mas com um sentimento misto de nojo e nostalgia. (…)»
É de recordar que «Os Maias» foi o pretexto para uma exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, por ocasião dos 130 anos da sua primeira edição.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Em Havana ele foi o nosso cônsul

Estreou no passado dia 7 de Junho, na RTP 1, a série televisiva (em 13 episódios de 45 minutos, dos quais o terceiro é hoje exibido) «O Nosso Cônsul em Havana», sobre a primeira experiência enquanto diplomata de José Maria de Eça de Queiroz.
Lê-se na sinopse: «Em 1871 caiu o governo que proibira as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, lideradas por Antero de Quental, onde Eça de Queiroz intervira. No ano seguinte Eça é nomeado cônsul, em Havana, por Andrade Corvo, ministro dos Negócios Estrangeiros do novo governo de carácter mais liberal. Em Cuba, colónia espanhola, continua a escravatura. Existem cerca de cem mil contratados chineses que saem da China através de Macau com documentos portugueses. Eça segue para Havana com o encargo de tentar resolver o problema dos chineses, tratados como escravos nas plantações de cana-de-açúcar. Durante o tempo em que lá permanece Eça não deixa por mãos alheias os seus méritos de sedutor e vive um amor escaldante com Mollie, filha do general americano Bidwell, uma jovem moderna e apaixonada que se sente tão à vontade à mesa de póquer como no jogo da sedução.»
Com realização de Francisco Manso e argumento de António Torrado e de José Fanha, esta série tem como protagonista Elmano Sancho. Em declarações a Joana Amaral Cardoso, jornalista do Público, o realizador afirmou que Eça «é responsável por uma das mais extraordinárias páginas da diplomacia portuguesa nessa perspectiva, da defesa dos direitos humanos”, opinião partilhada pelo actor, que acrescentou que «o trabalho dele foi tentar dignificar a vida desses escravos, que eram guardados em depósitos. Ele ficou só 14 meses, a situação dos chineses só se resolveu mais tarde, mas ele lançou as bases para que se tentasse que os chineses e também os africanos tivessem iguais direitos em Cuba».

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Portugal, por um seu contemporâneo


Numa iniciativa sobre José Maria Eça de Queiroz é inevitável e até desejável lembrar, citar, (re)avaliar e (re)valorizar os seus contemporâneos, conhecidos, colegas, amigos, vários dos quais obtiveram notoriedade e influência cultural e/ou política perene por mérito próprio. Um desses amigos e contemporâneos – e que, aliás, nasceu no mesmo ano do autor de «A Relíquia», ou seja, 1845 – foi Joaquim Pedro Oliveira Martins.
A editora Bookbuilders reeditou em 2018 aquela que é provavelmente a obra mais famosa e importante daquele, «Portugal Contemporâneo». E, em texto publicado no blog Delito de Opinião no passado dia 15 de Maio, Pedro Correia apontou os motivos dessa fama e dessa importância: «É um monumento, equivalente naquilo que hoje se convencionou chamar escrita de “não-ficção” a esse ponto cimeiro do romance intitulado “Os Maias”. (…) Com edição original de 1881, em dois volumes, estende-se da morte de D. João VI, em 1826, à “Revolta da Janeirinha”, que pôs fim ao período da Regeneração, em 1868. O balanço do Portugal oitocentista, na óptica do autor, não podia ser mais negativo: o país vivera sob sucessivas ocupações estrangeiras, com duas décadas de soberania militar e política inglesa na sequência das invasões francesas, e atravessou quase todo o século sob o espectro da bancarrota. Situação muito agravada pela traumática independência do Brasil, em 1822, só reconhecida três anos depois por Lisboa, e pela dilacerante guerra dinástica que se estendeu de 1828 a 1834, fracturando o reino entre absolutistas e liberais. A obra destila pessimismo. Sobre um tempo em que, segundo OIiveira Martins, o “antigo comunismo monástico”, varrido com a deposição e o banimento perpétuo de D. Miguel, dera lugar ao “comunismo burocrático” das décadas liberais. Nesta sucessão de episódios trágicos ou burlescos, com uma peculiar liberdade de interpretação dos factos e um extraordinário poder descritivo, perpassa uma galeria de personagens sujeitas aos cáusticos parágrafos do narrador.» 
Impõe-se porém fazer a correcção de um erro neste texto: Antero de Quental não integrou o grupo denominado «Vencidos da Vida», ao contrário de Eça de Queiroz e de Oliveira Martins.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Comunicações já confirmadas... (actualizado)

Adriana Mello Guimarães | EÇA DE QUEIROZ E A REVISTA DE PORTUGAL: A CONCRETIZAÇÃO DE UM SONHO
Alexandre Honrado | 1900. QUE SÉCULO MORREU AO DESPEDIR-SE DE EÇA?
Alfredo Campos Matos | O TEMA DA «VIAGEM» N'«OS MAIAS»
Ana Margarida Chora | EÇA DE QUEIROZ, AS BAILARINAS DO SUEZ, FATMÉ E A ALMEIA DE FLAUBERT
Annabela Rita | EÇA, CRONISTA
António de Araújo | NO SHEPHEARDS: O EGIPTO DE EÇA
Antonio Augusto Nery | DIÁLOGOS COM O EGIPTO (EÇA DE QUEIROZ)
Breno Góes | UM CONTADOR DE HISTÓRIAS NO AUGE DO IMPERIALISMO: NOTAS SOBRE A ESCRITA JORNALÍSTICA DE EÇA DE QUEIRÓS A PARTIR DE “OS INGLESES NO EGIPTO”
César Tomé | VESTÍGIOS DE KANT NA ANTROPOLOGIA ECIANA (A PROPÓSITO DA VIAGEM DE EÇA DE QUEIROZ À INAUGURAÇÃO DO CANAL DO SUEZ)
Fabrizio Boscaglia | EÇA DE QUEIROZ E O ISLÃO NO CONTEXTO DA GERAÇÃO DE 70
Jorge Chichorro Rodrigues | EÇA DE QUEIROZ, O «IRÓNICO PEREGRINO» DO ROMANCE «A RELÍQUIA»
Liliane Correa Faria Pinto | O EGIPTO DE DOM PEDRO II E EÇA DE QUEIROZ
Luís Manuel de Araújo | O EGIPTO DE EÇA DE QUEIROZ, 1869
Maged Talaat Mohamed Ahmed Elgebaly | ESTUDO COMPARADO ENTRE «O EGIPTO» DE EÇA DE QUEIRÓS E «TAHRIR» DE ALEXANDRA LUCAS COELHO
Manuel Curado | EÇA DE QUEIROZ E O ESPIRITISMO: A CURIOSIDADE OITOCENTISTA SOBRE O SUEZ DO ALÉM
Maria do Carmo Mendes | À PORTA DO ORIENTE: A POESIA DE ANTÓNIO FEIJÓ
Maria Cristina Pais Simon | O EGIPTO «PASSEADO E COMENTADO» POR EÇA DE QUEIROZ
Maria Serena Felici | ENTRE INFRAESTRUTURAS NOVAS E ORDENS SOCIAIS ANTIGAS: O PROGRESSO COMO CONTRADIÇÃO NA OBRA JORNALÍSTICA DE EÇA DE QUEIROZ
Mário Vítor Bastos | UMA NOVA PASSAGEM MARÍTIMA DA ÍNDIA PARA PORTUGAL: MÉDIO ORIENTE E ORIENTALISMO EM EÇA DE QUEIROZ
Mendo Castro Henriques | EÇA DE QUEIROZ, UM CRIADOR DE MAPAS DA EXPERIÊNCIA HUMANA
Mónica Figueiredo | RASCUNHOS PARA UM ATLAS DO ROMANCE QUEIROSIANO
Patrícia da Silva Cardoso | NO CANAL DE SUEZ, A BORDO COM EÇA DE QUEIRÓS E ÁLVARO DE CAMPOS
Paula Oleiro | A INFLUÊNCIA DO ORIENTE NA FICÇÃO QUEIROSIANA
Ricardo António Alves | PAISAGEM SOCIAL E ESTEREÓTIPO, ESTESIA E ESPALHAFATO: O EGIPTO VISTO POR EÇA DE QUEIROZ (1869) E FERREIRA DE CASTRO (1935)
Teresa Pinto Coelho | EÇA, DISRAELI, GLADSTONE E O CANAL DO SUEZ
Vera Mahsati | «CÂNTICO DA CARNE EXALTADA» OU «EXIBIÇÃO IMORAL»? A ORIGINALIDADE E VANGUARDISMO DE EÇA DE QUEIROZ NA SUA INTERPRETAÇÃO DAS DANÇAS DO MÉDIO-ORIENTE NO FIN DE SIÈCLE

segunda-feira, 18 de março de 2019

Congresso “Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez”


A 17 de Novembro de 1869, inaugurou-se o Canal do Suez, acontecimento com as maiores repercussões na época, nas mais diversas áreas (política, económica, cultural, religiosa, etc.), e que foi também uma via de abertura no diálogo entre o Ocidente e o Oriente.
Eça de Queiroz cobriu, como jovem jornalista, esse evento, publicando uma série de textos no “Diário de Notícias”, antecipando o escritor que viria a ser, um dos maiores escritores do mundo lusófono.
Cento e cinquenta anos depois, a Revista NOVA ÁGUIA, o MIL: MovimentoInternacional Lusófono e o CLEPUL: Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas eEuropeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em parceria com diversas Instituições, irão assinalar a efeméride, promovendo um Congresso a decorrer entre os dias 15 e 18 Novembro de 2019, na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Biblioteca Nacional de Portugal, que irá abordar os seguinte tópicos:
- Eça de Queiroz como jornalista;
- Eça de Queiroz como escritor inspirado pelas suas viagens;
- Representações do Médio Oriente oitocentista na obra de Eça de Queiroz e na literatura portuguesa coeva;
- A importância do Canal do Suez na época;
- O Médio Oriente na altura e hoje.


Caso pretenda participar neste Congresso, deverá enviar-nos uma proposta (com título e resumo) até final de Abril, para info@movimentolusofono.org

Comissão Organizadora: Renato Epifânio, Annabela Rita, Octávio dos Santos, Pedro Correia e Rui Lopo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O criador enquanto «criatura»

José Maria Eça de Queiroz continua a ser conhecido, quase 120 anos depois da sua morte, como um extraordinário escritor, e, embora tendo-se distinguido também enquanto jornalista e cronista, ficou mais célebre, claro, como notável ficcionista, nos romances e nos contos. Para eles criou muitas personagens, várias das quais ainda hoje permanecem famosas e até arquetípicas. Porém, e se o criador passasse a criatura, a figura de uma narrativa? Sem dúvida uma possibilidade interessante, uma experiência aliciante. Que, por exemplo, Sónia Louro tentou, e de que resultou «Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes», livro editado em 2018.   

Começou-se a falar de Eça e do Suez…

… Assim que o Movimento Internacional Lusófono, com as outras entidades e instituições que a ele se associaram, anunciou a realização, em...