sábado, 13 de fevereiro de 2021

Casas listadas para serem contactadas


Enviei ontem a João Português, Presidente da Câmara Municipal de Cuba, e ainda para outras pessoas daquele municipio, para a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, para a Associação Cultural Fialho de Almeida e para (um membro da Direcção d)a Associação Portuguesa de Escritores uma mensagem de correio electrónico contendo, em ficheiro anexo, um documento com uma lista elaborada por mim das casas de escritores de língua portuguesa actualmente existentes, abertas ao público e com evidente (mesmo que mínima) actividade cultural. Esta lista pretende ser o ponto de partida do início da formação da Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa, um projecto que delineei em Outubro de 2019 e cuja liderança eu e o Movimento Internacional Lusófono oferecemos à CMC através do Museu Literário Casa Fialho de Almeida. Após mais de um ano de espera, a 5 de Janeiro último aquele autarca alentejano finalmente respondeu-me, e positivamente.
A lista inclui uma casa em Angola, oito no Brasil e quase 30 em Portugal, mas, como é óbvio, não se pretende que seja definitiva, não só porque podem existir casas que eu não encontrei durante a minha pesquisa mas também porque existem outras – tomei conhecimento de pelo menos três (duas no nosso país, uma no país irmão) – em (avançado) processo de concretização. Evidentemente, e como seria de esperar, várias épocas e diversos estilos literários têm «representação» na lista. Por exemplo(s): o século XVIII, dito o das «Luzes», conta com a casa em Setúbal onde nasceu Manuel Maria Barbosa du Bocage; os anos de Oitocentos destacam-se, inevitavelmente, por José Maria Eça de Queiroz – através da quinta em Tormes que é a sede da fundação com o seu nome – e ainda por contemporâneos como Júlio Dinis, Antero de Quental e Sousa Martins; e, previsivelmente, o século XX é o que dispõe da maior «representação», tanto em Portugal como no Brasil, devido a nomes como José Régio, José Saramago, Erico Veríssimo e Jorge Amado. (Também no MILhafre e no Ópera do Tejo.) 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Junto ao rio real, uma batalha imaginária


Foi
em 2014 que dei a conhecer pela primeira vez Mariano Martin Rodriguéz, espanhol que estuda e divulga a literatura de ficção científica e de fantasia, e que, nesse âmbito, reserva(va) um particular interesse pelas obras de autores portugueses, tanto «antigos» como «modernos». A atenção do filólogo para com textos elaborados a oeste da sua fronteira continuou, e em 2020, para (o Nº 28 d)a revista Hélice, seleccionou, traduziu e introduziu trabalhos de três vultos oitocentistas nacionais: «Visão da confraternidade», de Teófilo Braga«Deus», «A voluptuosidade e o amor» e «Primavera abortada», de Raul Brandão
… E «A Batalha do Caia», de José Maria Eça de Queiroz. A propósito do qual escreveu: «O primeiro género moderno de ficção de antecipação com um êxito maciço foi o que consiste na narração de guerras hipotéticas ocorridas num futuro próximo, guerras essas em que se utilizariam as armas mais modernas e os diferentes Estados-nações e impérios conteporâneos se enfrentariam para impor a sua vontade e redesenhar as suas fronteiras. (…) O título “A Batalha do Caia” anuncia o género de ficção de que se trata, tal como confirma em seguida um parágrafo introdutório escrito como o arranque das memórias de uma velha testemunha dos feitos, em desconformidade com a historiografia oficial. (…) Depois desta primeira sequência memorialística, o restante apresenta-se na terceira pessoa, primeiro com uma segunda sequência que resume esquematicamente os antecedentes geopolíticos que facilitaram a invasão de Portugal, seguida de uma terceira em que a invasão é narrada sintéctica mas detalhadamente. Depois da batalha decorrida nas margens do Caia, o rio fronteiriço entre Espanha e Portugal perto de Badajoz e de Elvas, a falta de aliados externos e a própria debilidade interna, causada pela corrupção política e pela educação deficiente do povo, obrigam os governantes portugueses, tanto a monarquia reinante como a junta republicana que lhe sucede, a recorrer a meios desesperados para defender Portugal, mas sem êxito devido à escassa preparação militar e económica da nação. Não nos encontramos, pois, ante uma ficção bélica nacionalista agressiva que glorifique as vitórias próprias com tácito desprezo das alheias. Ao contrário, para Eça de Queiroz são as carências da sua pátria as verdadeiras responsáveis da catástrofe. (…) Estando fundamentado ou não este temor, Eça de Queiroz parece fazer um certo eco n’” A Batalha do Caia” de um receio ante o país vizinho maior, que estimulou grandemente o nacionalismo português como reacção ao unionismo iberista. Além do mais, a imaginada invasão espanhola nem sequer dá lugar a essa união mas sim a uma mera diminuição do território português, mais de acordo com os usos imperialistas contemporâneos do que com os ideais de uma progressiva unificação dos territórios culturalmente afins como etapa para uma sonhada federação da Europa. A literatura de guerras futuras é um produto típico da era imperialista deste continente, e o texto de Queiroz reflecte perfeitamente aquela conjuntura, com a vantagem de que a sua brevidade intensifica o vigor da narração e da sua mensagem. (…)»
Com esta sua análise Mariano Martin Rodriguéz contribui também para realçar e reforçar a importância de Eça de Queiroz para a literatura fantástica em Português, que eu já antes destacara. Uma constatação que, porém, tarda em ser reconhecida por outros investigadores. (Na imagem, a primeira página do manuscrito d’«A Batalha do Caia», guardado na Biblioteca Nacional de Portugal.) (Também no Simetria.)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

30 anos, 30 escritores, 30 dias


Este ano de 2020 que está prestes a terminar foi também o da celebração, a 9 de Setembro, das três décadas de existência da Fundação Eça de Queiroz. E esta decidiu assinalar a efeméride convidando 30 escritores a lerem o – ou um dos – seu(s) excerto(s) favorito(s) da obra do escritor, em gravações depois disponibilizadas na página de Facebook da Fundação em todos os 30 dias daquele mês, com as suas escolhas a recaírem tanto em romances (nomeadamente «Os Maias» e «A Cidade e as Serras») como em contos e em cartas. João de Melo foi o primeiro a participar nesta iniciativa, e a ele se seguiram mais 29: Filipa Leal, Cristina Carvalho, José Mário Silva, Maria do Rosário Pedreira, Matilde Campilho, Patrícia Reis, Ana Margarida Carvalho, Afonso Reis Cabral, Mário Cláudio, Afonso Cruz, Tiago Salazar, Patrícia Portela, Rita Ferro, Luísa Costa Gomes, Joel Neto, Ana Bárbara Pedrosa, António Mota, Nuno F. Silva, Bruno Vieira Amaral, Inês Pedrosa, Ana Luísa Amaral, Filipa Martins, Valério Romão, Julieta Monginho, Isabel Rio-Novo, Hugo Mezena, José Luís Peixoto, Cláudia Andrade e Norberto Morais.      
  

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Uma «visita guiada» à FEQ


Ontem, 23 de Novembro, a RTP2 exibiu o episódio 19 da temporada 10 do programa «Visita Guiada», apresentado por Paula Moura Pinheiro. O espaço em foco foi a Fundação Eça de Queiroz, sedeada na Quinta e Casa de Tormes, em Santa Cruz do Douro, «uma propriedade que coube à (esposa) por herança, mas foi uma primeira visita a este local, em 1892, que o mobilizou para escrever aquele que viria a ser o seu último romance, “A Cidade e as Serras”. Da itinerância pelo mundo aos acontecimentos políticos, intelectuais e artísticos que testemunhou, como podemos interpretar “A Cidade e as Serras” no contexto da vida e da obra do escritor? Uma visita guiada por Rui Ramos, historiador dos séculos XIX e XX.»

domingo, 25 de outubro de 2020

Talvez o encontremos


É evidente, inegável, o fascínio que é suscitado por fotografias e filmagens antigas. Constituem como que «janelas» para um tempo passado, para datas ancestrais, que nos oferecem registos autênticos, verdadeiros, de pessoas e de locais de há muitos anos, com uma acuidade que nenhuma pintura pode proporcionar. E as imagens em movimento que acima são divulgadas, que retratam dinamicamente Paris entre 1896 e 1900, têm um interesse acrescido ao nos lembrarmos que, nesses anos (aliás, desde 1888), José Maria Eça de Queiroz residia na «Cidade-Luz» enquanto cônsul. Poderia ele ter sido uma das pessoas «apanhadas» por aquela câmara? Talvez, se procurarmos bem, o encontremos.

16 de Outubro: 3º Congresso Internacional Eça de Queiroz, 150 Anos

Ver Programa:  https://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1830%3A3-encontro-internacional-eca-de-que...