sábado, 21 de setembro de 2019

Mais dois livros «queirosianos»

Eis mais não uma mas sim duas sugestões de leitura – dois livros alusivos a Eça de Queiroz, aos seus amigos e contemporâneos, à sua época. Numa bem interessante e deveras útil coincidência, a editora Fronteira do Caos decidiu recentemente recordar, no seu blog, duas obras por aquela publicadas já há vários anos: a primeira, em 2005, intitulada «Os Conferencistas do Casino», que reúne os textos das comunicações apresentadas não só pelo futuro diplomata mas também por Antero de Quental, Augusto Soromenho e Adolfo Coelho na então original e polémica iniciativa realizada em 1871 – apenas dois anos depois da viagem do autor d’«A Relíquia» ao Médio Oriente para assistir à inauguração do Canal do Suez; a segunda, em 2006, intitulada «Os Vencidos da Vida», que reúne textos de EdQ e ainda, entre outros, de Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e Carlos Lobo d’Ávila sobre o famoso «grupo jantante».    

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Começou-se a falar de Eça e do Suez…

… Assim que o Movimento Internacional Lusófono, com as outras entidades e instituições que a ele se associaram, anunciou a realização, em Novembro deste ano, do congresso «Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez». Assim, é de assinalar para já a divulgação da nossa iniciativa nos sítios na Internet: da revista Nova Águia (óbvia e inevitavelmente!); da Universidade do Porto; Escritores Lusófonos; Plataforma 9 (Portal Cultural do Mundo de Língua Portuguesa). Há também uma primeira referência, um primeiro «aviso», no sítio da Biblioteca Nacional de Portugal, mais concretamente na secção «eventos próximos». 

domingo, 14 de julho de 2019

Sim, é um grande romance…

… Em quantidade (número de páginas) e em qualidade. E tem um final maravilhoso e inesquecível. Trata-se de «Os Maias», consensualmente apontado como a obra-prima de José Maria Eça de Queiroz. É um dos dois «monumentos» da literatura portuguesa oitocentista – o outro é «Portugal Contemporâneo», de Joaquim Pedro Oliveira Martins – para Pedro Correia, que, no blog Delito de Opinião, a ele fez uma análise abrangente:
«Muito mais do que um romance, este vasto fresco sobre as classes dominantes no Portugal do rotativismo monárquico, caricaturadas pela pena de alguém que bem as conhecia, é um monumento. Uma obra ímpar na literatura portuguesa e um dos grandes títulos da literatura mundial, com admiradores da envergadura de um Jorge Luis Borges. Misto de ficção, de reportagem detalhada da Lisboa oitocentista e de ensaio sobre a perpétua crise de identidade das elites portuguesas, “Os Maias” contém uma inesquecível galeria de personagens, situações e frases que rapidamente se incorporaram no imaginário português, fundindo-se com a realidade. (…) Desmesurado em vários sentidos, este romance publicado em 1888 funciona ainda hoje como a mais impiedosa, sarcástica e demolidora autópsia das classes dirigentes nacionais. Estas, mesmo quando não gostaram de se descobrir no retrato, aproveitaram a imparável vaga de popularidade da obra para se impregnarem do seu espírito e da sua letra, rosnando imprecações contra o País, amaldiçoando o seu passado e predizendo horrores sobre o seu futuro. Quantas vezes, ao longo de anos, não temos lido e escutado Egas de pacotilha berrando aos quatro ventos enormidades contra o famigerado destino português. (…) (Eça de Queiroz) concebeu durante anos uma obra que funcionasse como um implacável e lúcido retrato da realidade portuguesa através da exibição dos seus mais destacados representantes – na banca, na finança, na política, nas letras e no jornalismo. Seria, de algum modo, a obra de um estrangeirado – alguém capaz de mirar sem réstia de compaixão o chão que o gerou. Mas com um sentimento misto de nojo e nostalgia. (…)»
É de recordar que «Os Maias» foi o pretexto para uma exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, por ocasião dos 130 anos da sua primeira edição.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Em Havana ele foi o nosso cônsul

Estreou no passado dia 7 de Junho, na RTP 1, a série televisiva (em 13 episódios de 45 minutos, dos quais o terceiro é hoje exibido) «O Nosso Cônsul em Havana», sobre a primeira experiência enquanto diplomata de José Maria de Eça de Queiroz.
Lê-se na sinopse: «Em 1871 caiu o governo que proibira as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, lideradas por Antero de Quental, onde Eça de Queiroz intervira. No ano seguinte Eça é nomeado cônsul, em Havana, por Andrade Corvo, ministro dos Negócios Estrangeiros do novo governo de carácter mais liberal. Em Cuba, colónia espanhola, continua a escravatura. Existem cerca de cem mil contratados chineses que saem da China através de Macau com documentos portugueses. Eça segue para Havana com o encargo de tentar resolver o problema dos chineses, tratados como escravos nas plantações de cana-de-açúcar. Durante o tempo em que lá permanece Eça não deixa por mãos alheias os seus méritos de sedutor e vive um amor escaldante com Mollie, filha do general americano Bidwell, uma jovem moderna e apaixonada que se sente tão à vontade à mesa de póquer como no jogo da sedução.»
Com realização de Francisco Manso e argumento de António Torrado e de José Fanha, esta série tem como protagonista Elmano Sancho. Em declarações a Joana Amaral Cardoso, jornalista do Público, o realizador afirmou que Eça «é responsável por uma das mais extraordinárias páginas da diplomacia portuguesa nessa perspectiva, da defesa dos direitos humanos”, opinião partilhada pelo actor, que acrescentou que «o trabalho dele foi tentar dignificar a vida desses escravos, que eram guardados em depósitos. Ele ficou só 14 meses, a situação dos chineses só se resolveu mais tarde, mas ele lançou as bases para que se tentasse que os chineses e também os africanos tivessem iguais direitos em Cuba».

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Portugal, por um seu contemporâneo


Numa iniciativa sobre José Maria Eça de Queiroz é inevitável e até desejável lembrar, citar, (re)avaliar e (re)valorizar os seus contemporâneos, conhecidos, colegas, amigos, vários dos quais obtiveram notoriedade e influência cultural e/ou política perene por mérito próprio. Um desses amigos e contemporâneos – e que, aliás, nasceu no mesmo ano do autor de «A Relíquia», ou seja, 1845 – foi Joaquim Pedro Oliveira Martins.
A editora Bookbuilders reeditou em 2018 aquela que é provavelmente a obra mais famosa e importante daquele, «Portugal Contemporâneo». E, em texto publicado no blog Delito de Opinião no passado dia 15 de Maio, Pedro Correia apontou os motivos dessa fama e dessa importância: «É um monumento, equivalente naquilo que hoje se convencionou chamar escrita de “não-ficção” a esse ponto cimeiro do romance intitulado “Os Maias”. (…) Com edição original de 1881, em dois volumes, estende-se da morte de D. João VI, em 1826, à “Revolta da Janeirinha”, que pôs fim ao período da Regeneração, em 1868. O balanço do Portugal oitocentista, na óptica do autor, não podia ser mais negativo: o país vivera sob sucessivas ocupações estrangeiras, com duas décadas de soberania militar e política inglesa na sequência das invasões francesas, e atravessou quase todo o século sob o espectro da bancarrota. Situação muito agravada pela traumática independência do Brasil, em 1822, só reconhecida três anos depois por Lisboa, e pela dilacerante guerra dinástica que se estendeu de 1828 a 1834, fracturando o reino entre absolutistas e liberais. A obra destila pessimismo. Sobre um tempo em que, segundo OIiveira Martins, o “antigo comunismo monástico”, varrido com a deposição e o banimento perpétuo de D. Miguel, dera lugar ao “comunismo burocrático” das décadas liberais. Nesta sucessão de episódios trágicos ou burlescos, com uma peculiar liberdade de interpretação dos factos e um extraordinário poder descritivo, perpassa uma galeria de personagens sujeitas aos cáusticos parágrafos do narrador.» 
Impõe-se porém fazer a correcção de um erro neste texto: Antero de Quental não integrou o grupo denominado «Vencidos da Vida», ao contrário de Eça de Queiroz e de Oliveira Martins.

16 de Outubro: 3º Congresso Internacional Eça de Queiroz, 150 Anos

Ver Programa:  https://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1830%3A3-encontro-internacional-eca-de-que...