domingo, 15 de agosto de 2021

Na NOVA ÁGUIA nº 28: EÇA DE QUEIROZ, NOS 150 ANOS DA ABERTURA DO CANAL DO SUEZ...

 EÇA DE QUEIROZ, AS BAILARINAS DO SUEZ, FATMÉ E A ALMEIA DE FLAUBERT

Ana Margarida Chora

EÇA DE QUEIRÓS, ENTRE A IMPRENSA E A LITERATURA: A PROPÓSITO “DE PORT SAID A SUEZ”

Annabela Rita

VESTÍGIOS DE KANT NA ANTROPOLOGIA ECIANA (A PROPÓSITO DA VIAGEM DE EÇA DE QUEIROZ À INAUGURAÇÃO DO CANAL DO SUEZ)

César Tomé

EÇA DE QUEIROZ, O «IRÓNICO PEREGRINO» DO ROMANCE «A RELÍQUIA»

Jorge Chichorro Rodrigues

TRAVESSIAS DE EÇA DE QUEIROZ ENTRE A INAUGURAÇÃO DO CANAL DE SUEZ E O COMEÇO LITERÁRIO

Maged Talaat Mohamed Ahmed Elgebaly

O EGYPTO: NOTAS DE VIAGEM OU VISÕES DO ORIENTE DE EÇA DE QUEIRÓS

Maria Cristina Pais Simon

RASCUNHO PARA UM ATLAS DO ROMANCE QUEIROSIANO

Mónica Figueiredo

A INFLUÊNCIA DO ORIENTE NA FICÇÃO QUEIROSIANA

Paula Oleiro

PAISAGEM SOCIAL E ESTEREÓTIPO, ESTESIA E ESPALHAFATO: O EGIPTO VISITADO POR EÇA DE QUEIRÓS (1869) E FERREIRA DE CASTRO (1935)

Ricardo António Alves

“CÂNTICO DA CARNE EXALTADA” OU “EXIBIÇÃO IMORAL”? A ORIGINALIDADE E VANGUARDISMO DE EÇA DE QUEIROZ NA SUA INTERPRETAÇÃO DAS DANÇAS DO MÉDIO-ORIENTE NO FIN DE SIÈCLE

Vera Mahsati

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Comunicações já confirmadas no nosso Congresso...

 

Alcino Pedrosa | Os Maias: os espelhos ou a tragédia de um país – imagens dos atrasos

Brunello Natale De Cusatis | A vertente intimista e a fraternidade universal na problemática religiosa de Eça de Queirós

César Tomé | A ironia como filosofia em Fradique Mendes

Delmar Maia Gonçalves | Das crónicas dispersas, cartas de Inglaterra e  contos seleccionados ao Dicionário dos Milagres – como Eça conduziu à escrita um moçambicano

Manuel Gama | O anticlericalismo como um pano de fundo das Conferências Democráticas

Maria do Carmo Cardoso Mendes | Eça de Queirós no Chile: a obra de Edwards Bello

Miguel Real | O último Eça

Monica Figueiredo | As "farpas" da modernidade: da Geração de 70 à Geração de Orpheu

Paula Oleiro | O Mistério da Estrada de Sintra, um romance singular na Literatura Portuguesa

Rodrigo Sobral Cunha | Eça de Queiroz em contra-corrente às Conferências do Casino

Samuel Dimas | A questão de Deus na espiritualidade romântica de Eça de Queiroz

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Recuperar o riso


A Sala de Convívio do Lote 398, na prática uma associação de condóminos daquele edificio nos Olivais fundada em 1976, tem desenvolvido desde então uma regular e meritória actividade cultural com a qual o Movimento Internacional Lusófono já colaborou. Também envia com frequência mensagens aos seus associados e amigos, e a mais recente, com data de 26 de Maio último, tem como tema Eça de Queiroz e o humor; mais concretamente, evoca um texto do grande escritor intitulado «A decadência do riso», escrito em 1891 e originalmente incluído em «Notas Contemporâneas», mas desta vez referenciado tal como aparece em «Crónicas e Cartas de Eça de Queiroz», uma edição da Verbo organizada por João Bigotte Chorão.
Assim reza a missiva, assinada por Fernando Murta Rebelo e Ana Cristina Henriques, da Direcção da Sala de Convívio do Lote 398… «(…) O culto de um humor sábio – que apela à esperança como força anímica – ajudará a fortalecer o espírito neste período de escassa convivência física e social. Merece ponderação o seguinte texto do cronista Eça de Queiroz: “A palavra ‘espírito’ tem sido amesquinhada; fazem-no significar as saídas picantes da conversação engraçada, o ‘bom mot’, o ‘lazzi’, a chalaça. Mas ele é uma mais alta entidade: é a crítica pelo riso; é o raciocínio pela ironia.” Como sabemos, a obra literária de Eça, como talentoso crítico dos costumes, é reconhecida quase toda, senão toda, como uma prodigiosa obra de espírito que merece ser recordada. O sedutor estilo queirosiano com a sua graça e a sua ironia convida à releitura de algumas das suas obras de fino humor que nos ajudará a recuperar “o dom augusto de rir”. (…)»
Na segunda folha da carta pode ler-se um excerto maior de «A decadência do riso», do qual se destaca: «Nós, com efeito, filhos deste século sério, perdemos o dom divino do riso. Já ninguém ri! Quase que já ninguém mesmo sorri, porque o que resta do antigo sorriso, fino e vivo, tão celebrado pelos poetas do século XVIII, ou ainda do sorriso lânguido e húmido que encantou o romantismo; é apenas um desfranzir lento e regelado de lábios, que, pelo esforço com que se desfranzem, parecem mortos ou de ferro. Eu ainda me recordo de ter ouvido, na minha infância e na minha terra, a gargalhada, genuína, livre, franca, ressoante, cristalina!.. Vinha da alma, abalava todas as vidraças de uma casa, e só pelo seu toque puro, como o de ouro puro, provava a força, a saúde, a paz, a simplicidade, a liberdade! (…) Qunto mais uma sociedade é culta mais a sua face é triste. Foi a enorme civilização que nós criámos nestes derradeiros oitenta anos, a civilização material, a política, a económica, a social, a literária, a artística, que matou o nosso riso (…). Queres um humilde conselho? Abandona o teu laboratório, reentra na Natureza, não te compliques com tantas máquinas, não te subtilizes em tantas análises, vive uma boa vida de pai próvido que amanha a terra, e reconquistarás, com saúde e com a liberdade, o dom augusto de rir.» O apelo a que se abandone o laboratório e que se reentre na Natureza será, não muito tempo depois, retomado e desenvolvido em «A Cidade e as Serras».  

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Contraste entre o citadino e o campestre


Quase dois anos depois de, no blog Delito de Opinião, ter evocado e elogiado «Os Maias», Pedro Correia, no mesmo (ciber)espaço, analisou mais uma obra de José Maria Eça de Queiroz: «A Cidade e as Serras»
… Que para aquele jornalista «é um romance construído em perfeita simetria: a metade inicial decorre em França, a segunda em Portugal com breve regresso do narrador a Paris quase no fim, sendo as duas partes intervaladas por uma divertida intromissão em terras espanholas, na mais famosa viagem de comboio da nossa literatura. Que culminará na entrada de Jacinto no país dos seus ancestrais, cruzando a fronteira em Trás-os-Montes. (…) É um Eça antigo e um Eça novo que aqui encontramos em simultâneo. O primeiro, na deliciosa descrição da parasitária fauna social parisiense, que tanto inspirava a lisboeta. Juntam-se ao jantar na sumptuosa residência de Jacinto, situada no n.º 202 dos Campos Elísios, desfilando no magnífico capítulo IV do livro. (…) O segundo Eça, inesperado, é um escritor rendido ao singelo encanto do Portugal profundo, por antonomásia figurado nas Serras do título. O romancista já não sente fervor iconoclasta e anseia pelo retorno aos bens mais simples. Este contraste torna-se evidente em dois repastos: o sofisticado jantar dos Campos Elísios, tendo como convidado de honra o Grão-Duque Casimiro, e a ceia rústica improvisada em Tormes, com a mesa iluminada por “duas velas de sebo em castiçais de lata”: caldo de galinha com fígado e moela, arroz de favas, frango assado no espeto com salada recém-colhida da horta. Duas das mais célebres refeições da literatura portuguesa.»
Prova indesmentível, inquestionável, da importância fulcral de «A Cidade e as Serras» na vida, na obra, no legado, no mito de Eça de Queiroz é a de que este romance, que constitui um (grande) desenvolvimento do conto «Civilização», ter também sido inspirado pela visita a um local que, cerca de um século mais tarde, se tornaria a sede da fundação com o seu nome, a sua perene casa em Portugal: a verídica, factual (quinta de) Tormes, a (não tanto) fictícia «Torges» na sua primeira aparição. E a breve distância, no cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião, está o autor em jazigo de família sepultado, como que numa conclusão da corporização do contraste entre o citadino e o campestre.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

200 anos de CB


Hoje, 9 de Abril de 2021, assinalam-se e celebram-se os
 200 anos do nascimento de Charles Baudelaire. Um escritor que é um dos que mais admiro, tanto que «As Flores do Mal» está na lista dos 20 livros mais importantes da minha vida, que «A Invenção da Modernidade – Sobre Arte, Literatura e Música» (colectânea portuguesa que reúne, traduzidos, os seus textos críticos e ensaísticos mais importantes) foi escolha e destaque num dos meus «balanços» culturais quadrimestrais, e que ele próprio foi inspiração e assunto de um poema redigido por mim depois de uma viagem a Paris em Agosto de 2011, e incluído num livro que (como outros) está por publicar.
Um autor com um trabalho que resistiu ao «teste do tempo», caracterizado por uma qualidade e uma importância que se mantêm incontestáveis, pode sempre ser evocado e abordado por uma multiplicidade de pretextos e de perspectivas. No caso de Charles Baudelaire há, por exemplo, a influência que ele teve em José Maria Eça de Queiroz, expressa principalmente na figura de Carlos Fradique Mendes. O saudoso Vasco Graça Moura, em crónica de 2012, alude ao «dândi» que supostamente fora amigo do poeta francês. Ana Rocha deu no Centro Nacional de Cultura, entre final de 2017 e início de 2018, uma conferência em três partes sobre as ligações entre os dois grandes vultos das letras, ligações que foram também o tema de uma tese elaborada por Antonio Augusto Nery.

16 de Outubro: 3º Congresso Internacional Eça de Queiroz, 150 Anos

Ver Programa:  https://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1830%3A3-encontro-internacional-eca-de-que...